Notícias

15/12/2010

Alemanha tem de se sacrificar mais para salvar o euro

O Governo alemão tem de estar preparado para ceder mais soberania e dinheiro de modo a preservar o euro. E deve explicar aos alemães que o faz porque isso é o melhor para eles.

O conselho partiu hoje de Helmut Schmidt, antigo chanceler alemão. Em entrevista ao “Die Zeit”, que será amanhã publicada na íntegra, avisa que o ressurgimento das moedas nacionais iria “prejudicar severamente as exportações alemães, que são a base do nosso elevado nível de vida”.

Schmidt recorda ainda o passado sangrento da Alemanha e diz que as gerações actuais não podem esquecer-se da “enorme contribuição do país nos conflitos” que deflagraram na Europa.

É a segunda vez em pouco mais de uma semana que o antigo chanceler vem a público pedir à actual liderança alemã que assuma sem hesitação as suas responsabilidades na defesa do euro – um projecto que nasceu (possivelmente de forma prematura) por exigência da França para compensar uma Alemanha muito mais poderosa do que a fundou a antiga Comunidade Económica Europeia, em resultado da reunificação do país, em 1990.

"Faltam dirigentes na Europa, pessoas em altos cargos que dominem as questões nacionais e internacionais e tenham bom senso suficiente", acusara, do alto dos seus 91 anos, em entrevista ao jornal “Handelsblatt” há menos de duas semanas.

Uma das excepções, disse o antigo chanceler social-democrata, é o primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo (ministros das Finanças dos países do euro) Jean-Claude Juncker, um dos proponentes da emissão de dívida pública europeia – proposta que esbarrou na oposição frontal de Berlim.


Schmidt considera aliás que a chanceler Angela Merkel "tem sido pouco hábil" na gestão da actual crise. Já ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, "percebe de questões relacionadas com o orçamento e de questões fiscais, mas os mercados internacionais de capitais e moedas, o sistema bancário ou a supervisão dos bancos são novidades para ele".

As advertências de Schmidt surgem em véspera de uma cimeira europeia crucial, em que os líderes europeus tentarão amanhã e depois, em Bruxelas, chegar a acordo sobre os novos mecanismos de protecção do euro contra o risco de a união monetária se desagregar à medida que mais países parecem caminhar para uma situação de insolvência.

Fonte:

Jornal de Negócios

Assecont Serviços Contábeis Ltda
Fone: (54) 3218-6400 - Fax: (54) 3218-6439
Rua Coronel Camisão, 361, Centro - Caxias do Sul - RS - CEP: 95020-420