SÃO PAULO - A Usimeca, uma das maiores fornecedoras de tecnologias e produtos para a área de limpeza urbana do país, decidiu transferir do Brasil para uma nova fábrica, localizada no México, toda a produção de caminhões compactadores de lixo que serão destinados ao mercado externo. Além do potencial de vendas naquele país e dos negócios aquecidos com Colômbia, Chile e Venezuela, foi determinante para a decisão de levar para fora do país a linha de produção com vistas às exportações a drástica perda de competitividade dos produtos industriais brasileiros comercializados globalmente.
Câmbio, gargalos de infraestrutura e custo país, enumera o presidente da Usimeca, Cesar Moreira, estão entre os fatores que inibiram uma nova rodada de investimentos da companhia, que se associou à espanhola Ros Rocaem 2007, com expansão das instalações nacionais. A Ros Roca é uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos de coleta de lixo, com receita anual de aproximadamente €500 milhões.
"O Brasil está muito caro e tivemos de buscar alternativas", diz o executivo. "Para um negócio de capital intensivo e ciclo longo como o nosso, custo de capital, por exemplo, é determinante para a sobrevivência". O faturamento anual da Usimeca gira em torno de R$ 100 milhões e a participação dos embarques caiu "sensivelmente" nos últimos dois anos.
Em 1999, conta o executivo, a Usimeca, empresa de origem brasileira com mais de 60 anos de operação, entrou no mercado mexicano por meio da exportação dos implementos que são montados sobre chassis de caminhão, produzidos localmente. A partir daí, as vendas da empresa para América Latina ganharam fôlego e cerca de 40% da produção - a capacidade instalada nas duas fábricas da Usimeca no Estado do Rio de Janeiro é de mais de mil unidades anuais - chegou a ser embarcada, com encomendas provenientes até da África do Sul.
Dez anos depois, contudo, o número de compactadores vendido principalmente a clientes mexicanos e chilenos caiu a praticamente zero. O impacto somente não foi maior nas receitas da companhia, conta Moreira, porque o mercado doméstico mostrou forte aquecimento entre 2009 e 2010, compensando a perda de encomendas internacionais. No ano passado, a Usimeca produziu mais de 800 unidades e, em 2010, o volume produzido caiu para 700. "O mercado interno, felizmente, está aquecido. Tão aquecido que tivemos de parar a produção em quatro ocasiões porque faltou chassi (de caminhão) no mercado", diz.
Antes de decidir pelo investimento de cerca de US$ 10 milhões na fábrica mexicana, Usimeca avaliou a possibilidade de instalar a nova linha no Chile - onde a empresa tem uma pequena operação de componentes que também será transferida para o México - e no Uruguai.
Critérios como carga tributária, custo de mão de obra, estrutura logística e preços do aço e dos chassis onde são instalados os implementos que produz foram levados em conta na pesquisa. "Tomamos a decisão de tirar do Brasil a linha para exportação há dois anos e passamos um ano avaliando as possibilidades."
"Olhamos diversos países", conta Moreira. "E verificamos que é mais barato abastecer toda a América Latina a partir do México do que qualquer outro país." Soma-se a isso a pretensão da companhia de entrar no mercado americano, um dos maiores do mundo para a indústria de equipamentos de coleta de lixo, a partir de 2012. Nos Estados Unidos, por ano, são negociados cerca de 7 mil caminhões de coleta de lixo, ante 1,1 mil unidades no Brasil. "Vamos preparar o México para atender uma pequena parte desse mercado", diz.
Inicialmente, a Usimeca buscava um parceiro local para a instalação mexicana, mas não encontrou um sócio com o perfil almejado. "Decidimos, então, entrar sozinhos e alugamos uma área bem atendida em termos de logística", afirma Moreira. No futuro, mais de 50% da produção na fábrica, que nasce com capacidade para 350 a 400 unidades por ano, será exportada e, entre 2012 e 2013, as instalações terão sido ampliadas para produção de até mil compactadores por ano. "Já temos uma encomenda de 150 unidades com o governo da cidade do México", diz. A empresa levou a concorrência, segundo Moreira, com uma tecnologia própria de separação de resíduos orgânicos e inorgânicos.
No país, a Usimeca tem posição de destaque no segmento de coletores de lixo domiciliar e é fornecedora integral de duas da maiores concessionárias, Logae EcoUrbs, que atuam na cidade de São Paulo. No Rio, estima ter fatia de 90%.
(Stella Fontes | Valor)










