06/01/2011
Mais da metade dos setores industriais brasileiros registrou crescimento em novembro na comparação com outubro do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro de 2010, 14 setores tiveram crescimento, 12 caíram e um ficou estável.
O segmento que mais impactou positivamente a produção industrial em base mensal foi o de refino de petróleo e álcool, com alta de 3% na produção. Em seguida, vem o setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (crescimento de 7,2%) e o de máquinas para escritório e equipamentos de informática (alta de 9,3%), com destaque para computadores. Já os maiores impactos negativos vieram do setor de alimentos (-2,1%), em razão do menor volume de exportação de carnes, e do setor máquinas e equipamentos (-1,1%), que inclui não apenas bens de capital, mas também eletrodomésticos, explicou o gerente de Indústria do IBGE, André Luiz Macedo.
Quando a base de comparação é novembro de 2009, foi o setor de veículos automotores (caminhões, automóveis, veículos para transporte de mercadorias e caminhão-trator) que teve maior impacto positivo na produção industrial, com incremento de 14,2%. A categoria teve um perfil de crescimento bastante generalizado, com 92% dos produtos apresentando expansão na produção. O segmento de indústrias extrativas (alta de 11,5% na produção) vem em segundo lugar, impulsionado principalmente pelo avanço das exportações de minério de ferro, disse Macedo.
Por outro lado, foi o setor de material elétrico e equipamentos de comunicações que mais puxou o crescimento da indústria para baixo em novembro de 2010 ante igual mês de 2009, com queda de 11,4%, principalmente em razão da baixa na produção de celulares. Os têxteis foram responsáveis pelo segundo maior impacto negativo, com queda de 5,7% na produção em novembro em relação a um ano antes. Nessa base de comparação, 24 setores tiveram crescimento e três caíram.
No acumulado do ano, 25 setores tiveram aumento de produção e dois registraram queda. Os maiores impactos positivos na produção de janeiro a novembro de 2010 ante igual período do ano anterior vieram dos setores de veículos automotores (alta de 25,4%) e de máquinas e equipamentos (26,2%), impulsionado principalmente por eletrodomésticos. Em terceiro, vem o segmento de metalurgia básica (19,6%). As quedas foram registradas em fumo, cuja produção caiu 8,6%, em razão da redução da safra ocasionada por problemas climáticos, e também no setor de outros equipamentos de transporte (-1%), que inclui aviões.
A queda de 0,1% na produção industrial em novembro ante outubro de 2010 pode ser considerada um resultado estável, segundo Macedo. O técnico explica que, há quatro meses, a produção oscila perto da estabilidade. Isso se explica por uma base de comparação mais alta, após a recuperação da crise financeira mundial, além de importações mais fortes e segmentos com estoques elevados. Em outubro, a produção industrial havia ficado em 0,3%; em setembro, em 0,1%; e em agosto, em -0,1%. "A produção industrial tem apresentado um ritmo menos intenso nos últimos meses, mas o resultado pode ser encarado como estável", afirmou. "Estamos muito próximos do recorde da série, que atingiu seu pico em março de 2010."
A indústria gaúcha voltou a crescer após três meses de queda. A atividade do setor aumentou 2,3% em novembro, sem os efeitos sazonais, em relação a outubro, e compensou as perdas anteriores. "Com o incremento da renda e do crédito, o mercado interno segue sendo o propulsor da economia. A expansão do investimento no País também tem sido um fator importante", disse o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, ao divulgar o Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS).
Das seis variáveis, quatro registraram avanços em novembro diante de outubro: Compras (7,3%), Horas Trabalhadas na Produção (1,5%), Massa Salarial (0,5%) e Utilização da Capacidade Instalada (0,3%). Duas permaneceram quase inalteradas: Faturamento (-0,1%) e Emprego (-0,1%). De acordo com Tigre, para que o resultado positivo seja contínuo e ascendente, há muitos obstáculos importantes a serem superados, tais como a elevada carga tributária, a valorização do câmbio, a retração na demanda externa e a falta de mão de obra qualificada. Quando novembro é comparado com o mesmo mês de 2009, o IDI-RS apresenta uma majoração de 8,5%. Todos os indicadores, tanto os de produção quanto os de mercado de trabalho, tiveram alta: Compras de Insumos e Matérias-primas (19,8%), Massa Salarial (9,6%), Faturamento (7,8%), Horas Trabalhadas na Produção (5,3%), Emprego (5,1%) e Utilização da Capacidade Instalada (1,3%).
Nessa base de comparação, dos 17 setores industriais pesquisados, Material Eletrônico e de Comunicação (28,6%), Veículos Automotores (27,4%), Refino de Petróleo (21,3%), Máquinas e Equipamentos (12%), Produtos de Metal (10,7%) e Couro e Calçados (8,6%) aceleraram acima da média. No outro extremo, com resultados negativos, Produtos de Fumo (-12,7%), Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (-4,3%), Edição, Impressão e Reprodução de Gravações (-2,8%) e Vestuário e Acessórios
(-1,9%) pontuaram as perdas.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, cobrou celeridade do governo na divulgação de medidas concretas para combater a forte desvalorização do dólar frente ao real. Ao comentar a atitude do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que na terça-feira convocou uma entrevista coletiva, mas frustrou expectativas ao não anunciar nenhuma ação prática em relação ao câmbio, Andrade destacou que o que acalma e deixa o mercado mais tranquilo são somente medidas efetivas.
"Às vezes você falar que vai fazer medidas deixa a gente até um pouco mais inquieto porque você não sabe que medidas são essas", observou. Evitando críticas diretas, o presidente da CNI disse que compreendia a intenção do titular da Fazenda de sinalizar a atenção do governo em relação ao problema. Mas tratou o alarme falso com certa ironia. "No momento em que ele convocou a coletiva, a gente tinha a impressão de que ele ia divulgar alguma medida concreta, mas de concreto mesmo só o salário-mínimo de R$ 540,00."
Andrade mostrou-se pouco otimista em relação à meta numérica para a política cambial e de comércio externo em 2011. O ministro falou em um superávit comercial de US$ 20 bilhões, o mesmo realizado no ano passado.
"As previsões para este ano são de déficit", salientou o presidente da CNI, destacando que o saldo da balança comercial brasileira está baseado na exportação de commodities. Segundo ele, a pauta de exportação deve necessariamente abranger produtos manufaturados e com conteúdo tecnológico. "Seria muito bom se fosse US$ 20 bilhões novamente. Mas, mesmo assim, todo saldo da balança comercial que nós temos hoje são pelas commodities."
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